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Como os free walking tours mudaram o meu jeito de ver as cidades

Sabe aquela coisa da qual tu já ouviu falar mas não foi muito atrás e acabou deixando para olhar mais a fundo depois? Pois é, sou assim com algumas coisas, e infelizmente perco a oportunidade de conhecer atividades incríveis. Foi assim com o Free Walking Tour, até que eu tive um convite. Quando estive na Polônia para um intercâmbio, uma das minhas madrinhas (as meninas que passeavam por lá comigo) me convidou para fazer um tal de um tour a pé que era “de graça”. Ela nunca tinha feito também, só tinha ouvido falar. Nos 10 primeiros minutos eu já estava apaixonada.

Naquele dia eu fiz o tour pelo bairro de Praga e a experiência foi sensacional. Foi então que eu compreendi melhor a história de Varsóvia e da Polônia no geral. Vi que por trás de cada prédio naquela cidade existe muita história. Triste, na maioria das vezes, coberta de sangue e de dominação. Mas é essa a história da Polônia, e eu acredito que a história deva ser preservada com um motivo muito nobre: para que não repitamos erros. Mas vamos falar de coisa boa, né? Aquele tour me serviu para entender a história de Varsóvia porque os guias (não só desse tour, mas dos outros que já fiz, conto mais abaixo) se preocupam em explicar por que aquela região coberta pelo tour tem aquelas características, e tudo isso inserido na história da cidade.

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Em São Paulo, o tour foi pela Vila Madalena e pelos grafites

Naquele dia eu tive um estalo e até uma certa vergonha. Era minha quarta vez na Europa e eu notei o quanto de história e vivência tinha desperdiçado nas viagens anteriores por não ter aprendido a história por trás de cada local nas cidades incríveis que já visitei. O quanto eu tinha ido pra tantos lugares e visto as cidades apenas superficialmente! Claro, eu tinha os meus motivos: sempre odiei a forma como a história é dada no colégio e não sou a maior fã de outros tours que já tinha visto. O Free Walking Tour serviu de facilitador de tudo isso: com um guia divertido, jovial, que apontava com o braço um prédio que eu podia tocar e que me contava toda a história dele… Sensacional! Mas as partes boas do Tour não terminam por aí: o grupo geralmente é bem diversificado (quando eu teria outra oportunidade de estar ao lado de uma senhora da Ucrânia e conversar sobre ditaduras com ela?), o inglês de todos os guias que já conheci até hoje era muito bom, facílimo de entender, e, no final do tour, o guia pede que cada um dê a contribuição que desejar, e, por isso, tu acabas gastando bem menos do que gastaria em um tour fechado. Além disso, dá para notar que os guias são interessados e apaixonados por aquele trabalho.

Os tours não são nada pesados em termos de caminhada e, apesar de a maioria por aí ter uma duração em torno de 3h, apenas uma pequena parte desse tempo é gasto andando. O percurso total não costuma nem chegar perto de 5km. Já fiz um tour com mala pesada pois de lá fui direto para o aeroporto e foi bem tranquilo. Não lembro de já ter visto crianças pequenas fazendo, mas acho que não seria interessante porque não deixa de ser um passeio em grupo, e crianças muitas vezes precisam do seu tempo em cada lugar (apesar de que os guias costumam ser super justos com os tempos de parada, nunca vi ninguém tendo que correr porque eles não esperaram o pessoal tirar fotos). Mas vai de cada um, né?

Os tours geralmente são por um bairro/região específica, ou têm um tema. Mas claro que os guias dão informações sobre a cidade em geral (no que fiz em São Paulo rolou até uma pequena aula sobre geografia e história do Brasil, hahah) e costumam ser muito solícitos quando perguntados sobre outras atrações na cidade.

Para achar um tour na cidade para onde estás viajando, é fácil: joga no Google “free walking tour + o nome da cidade”. A maioria é em inglês, mas em algumas cidades há opções em espanhol. Nunca vi tour em português, nem mesmo em São Paulo ou em Lisboa, haha! Em cidades bem turísticas costuma haver mais de uma opção de empresa que oferece esses tours. Nesse caso, veja o melhor horário para ti, o roteiro que parece mais interessante e, caso a dúvida persista, jogue o nome da empresa no Trip Advisor (www.tripadvisor.com.br), onde há várias avaliações, e escolha o que mais agradar. Só tome cuidado porque em muitos dos sites dessas empresas são oferecidos vários tours, mas apenas alguns são na base da gorjeta, outros precisam ser agendados e têm um preço fixo. Não é pegadinha, é que na rapidez de olhar o site pode haver confusão mesmo. É só prestar atenção. Escolhido o tour, é só ir para o ponto de encontro, que costuma ser um lugar super fácil de achar, e se aproximar do guia, que provavelmente estará uniformizado e com alguma placa. Eles são gente boa e provavelmente te perguntarão nome e origem. Não fique acanhado!

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Em Lisboa o tour foi ótimo e ainda terminou com essa vista!

Outra questão é que já li uma opinião de que esses tours não são interessantes pois, pelo fato de os grupos serem grandes (geralmente em torno de 20 pessoas), fica difícil de ouvir o guia. Discordo! Os guias costumam tomar cuidado para que todos estejam acompanhando e, caso tu tenhas alguma dificuldade para escutar ou entender o que o guia fala (que é o meu caso, pois não sou deficiente auditiva mas ô pessoa pra escutar mal hahaha), é só grudar no guia e estar sempre do lado dele. Dá super certo, sempre faço isso e nunca tive que me acotovelar com ninguém.

Todo mundo gosta desse tipo de tour? Claro que não. Acho que pessoas que realmente não têm nenhuma paciência para ficar parado escutando alguém contar histórias não iriam curtir. Mas eu recomendo fortemente para todos que quiserem experimentar, porque, como falei acima, eu com certeza não sou o tipo de pessoa que esperava se agradar desse tipo de tour e aqui estou eu, louca pra começar um grupo de Tour em Floripa, sendo apenas freada pela total falta de tempo (pelo menos por agora!).

Comentando rapidamente sobre os outros tours que experimentei, ainda em Varsóvia, fiz também os tours “Varsóvia Judia” e “Varsóvia Comunista”. Ambos incríveis. Pelo que vi no site da empresa (http://freewalkingtour.com/warsaw/), eles também têm tours em Cracóvia, Gdansk e Wroclaw (pronuncia-se algo como “Vrotsuaf”. Pois é, vai entender hahaha), além de tours em espanhol e um que nem existia na época em que eu estava lá! Parece que arranjei uma desculpa para voltar, hehe… Já em São Paulo, experimentei o tour em inglês pela Vila Madalena (site: http://www.saopaulofreewalkingtour.com), também ótimo, recomendo! Só não fiz os outros tours da mesma empresa em SP por falta de tempo. E em Paris experimentei dois: em um a experiência não foi tão boa (http://www.discoverwalks.com/paris-walking-tours/), pois juntou meu cansaço com uma guia que não me deixou muito feliz porque parava muito pra dar informações não tão cruciais, digamos. Não lembro o nome da guia, mas de qualquer forma eu estava sem muita paciência na hora e acabei deixando o tour pelo Montmartre no meio (outra parte boa desse tipo de tour: se não curtiu é só sair – alguns guias só pedem que avisem na hora que deixar o “bando” pra que eles não fiquem contando e sentindo falta de alguém depois). Minha outra experiência em Paris, porém, foi tão boa quanto as outras: fiz o Free Tour pela New Paris Tours (http://www.newparistours.com/daily-tours/paris-free-tour.html) e recomendo. Já em Lisboa experimentei o Chill Out (http://lisbonfreetour.blogspot.com.br), ótimo, um dos melhores que já fiz! Ah, o tour lá também é em inglês, ok? E em Barcelona fiz dois em espanhol: o pelo bairro gótico, pela Hostel Culture (http://www.hostelculture.com/barcelona-tours/free-tour-of-barcelona), que foi ótimo, contando boa parte da história da Catalunha e de Barcelona, e o tour pelo modernismo da Feel Free (http://www.feelfreetours.com/Tour-gratis-a-pie-gaudi-modernismo-castellano.php#Details), também sensacional, com os únicos defeitos de o guia falar rápido, dificultando um pouco a compreensão, e falar bastante, tornando o tour cansativo no final. Mas recomendo ainda assim, pois foi o que me fez entender o modernismo!

É isso, pessoal! Espero que tenham curtido as dicas e se informem sobre esse tipo de tour quando forem viajar, caso tenham se interessado! Vocês já fizeram algum tour desse tipo? Como foi a experiência? Comenta aqui para a gente poder conversar, e comenta também se tiver qualquer dúvida para eu poder te ajudar!

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Um beijão!

 

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free walking tour

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12 thoughts to “Como os free walking tours mudaram o meu jeito de ver as cidades”

  1. Eu sou apaixonada pelos free walking tours, já fiz 2 até o momento e virei fã. Quero fazer este passeio em todas as cidades que visitar agora, acho um tour perfeito para fazer no primeiro dia, assim dá para ter uma noção de localização e conhecer a história dos pontos turísticos visitados 🙂

    Beijos

  2. Para quem vier ao Rio de Janeiro, recomendo o Rio Free Walking Tour, com passeios diários pelo centro e em dias específicos pela Praça Mauá e arredores. Em Curitiba aos sábados tem o Curitiba Free Walking Tour.

  3. Já fiz uma pergunta em outro post seu, quando ainda nem tinha viajado pra Polônia. Pois já fui (setembro/outubro de 2016, de carro, só pegando neve em Zakopane, mas sem problema nas estradas, como você tinha me dito), e realmente adorei os free walking tours. Fiz dois diferentes em cada cidade onde dispunham do serviço (Zakopane é que não tinha nessa época do ano) e sempre curti muito, exatamente como você descreve acima. Vez por outra é que eu brincava com eles que parecia mais “free running tour”, por causa da velocidade das passadas entre uma parada e outra, mas notei que ninguém se incomodava com isso, nem os mais velhos que eu. Valem a pena (os tours e seus posts). Abraço.

Oi! Tem alguma dúvida, sugestão, dica ou comentário, deixe aqui para nós e viajemos juntos!

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