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Um dia na Serra do Rio do Rastro, Santa Catarina

Possuo um carinho especial por certos lugares. Algo além do “que saudade de lá”, do “que lugar bonito”. Quase como se fosse um sentimento por uma pessoa mesmo, como se parte do meu coração tivesse ficado lá. É assim com a minha cidade natal, Criciúma, com Florianópolis, com Paris, e com a serra catarinense. Para mim, não há paisagem igual em nenhum outro lugar. Não há beleza comparável, nem lugar que me traga tanta paz no coração.

Talvez já tenhas ouvido falar da Serra do Rio do Rastro. Possivelmente em alguma lista de estradas mais bonitas do Brasil. Provavelmente não prestou muita atenção, talvez pela ainda pouca infraestrutura que tenha no lugar. Pois bem, meu desafio de hoje é te convencer de que tens que visitar a Serra do Rio do Rastro, pelo menos uma vez na vida. Mesmo que a infraestrutura não seja tão abundante como a das serras de outros estados.

A Serra do Rio do Rastro localiza-se no município de Lauro Müller, no sul de Santa Catarina, a 220 km de Florianópolis. Sua marca principal é a subida da serra, feita através de curvas fechadas e subidas íngremes. Durante todo o percurso de 12 km se tem de um lado um penhasco e a vista para o próprio morro da serra, e de outro paredões de rochas cobertos de mata e com alguns fios de água correndo (que fazem a alegria dos turistas ao congelarem nos dias frios).
A proposta que trago é de uma visita à serra e às cidades mais ao sul da serra catarinense. Em uma ocasião posterior quero falar sobre outras cidades onde dá para passar frio aqui no nosso estado (que coisa louca, vir gente de todo canto para passar frio! Hahaha), mas hoje os holofotes são sobre Bom Jardim da Serra e São Joaquim.
Bom Jardim da Serra é a primeira cidade que encontras ao chegar ao topo da serra. Conta com alguma infraestrutura para turismo como restaurantes e hotéis, ainda que pequena. Ou seja: sim, dá para se hospedar lá! Há principalmente boas opções de hotéis fazenda!
São Joaquim fica um pouco mais a frente, a 42 km de Bom Jardim da Serra. Essas cidades são ligadas pelas rodovias SC-390 e SC-416. Para mim, essa estrada é uma das melhores partes da serra! As paisagens são inspiradoras, com alguns riachos e araucárias por todo o caminho. Infelizmente, essa estrada não está com uma boa conservação. Em alguns trechos há buracos que obrigam o carro a diminuir a velocidade. Felizmente isso não acontece o tempo todo e de nenhuma forma tira o encanto da viagem, mas acho uma falta de respeito com os moradores da região que precisam enfrentar a estrada com frequência, bem como com o turismo dessa região tão linda.

Bom, vamos ao roteiro em si?

Minha sugestão é que venhas até o sul do estado para subir a Serra do Rio do Rastro. Para quem vem do norte (como de Florianópolis, do Paraná, de São Paulo…), o mais próximo é ir até a cidade de Tubarão e pegar a SC-390 em direção a Orleans. De lá continue pela SC-390 até Lauro Müller, no pé da serra. Já um caminho um pouco mais longo do que esse para quem vem do norte, ou mais curto para quem vem do sul (como extremo sul do estado ou Rio Grande do Sul), é ir até a cidade de Criciúma e pegar a SC-446 até Orleans, pegando depois a SC-390 até Lauro Müller. Caso estejas vindo de longe, sugiro dormir em Tubarão ou Criciúma (que contam com boas opções de hotéis e restaurantes para uma pernoite, principalmente a última cidade) e acordar cedinho para subir a Serra, principalmente nos finais de semana frios, quando costuma haver bastante movimento para subir a serra, tornando a subida bem mais lenta. De São Joaquim, nosso destino final desse roteiro, podes, claro, voltar pelo mesmo caminho, ou ir até Urubici pela SC-416, continuar por essa rodovia até chegar à BR-282 e então seguir até a chegada à BR-101 em Palhoça, bem pertinho de Floripa. Seguindo esse roteiro passarás por ainda mais lugares lindos, e então recomendo pernoitar em Bom Jardim ou São Joaquim para seguir viagem com calma. Do contrário, provavelmente terás pouco tempo para curtir essas outras cidades no caminho (o que é uma ótima desculpa para voltar, claro! Hahaha). O caminho inverso também pode ser feito, com a subida pela BR-282 para quem vem do norte e a descida pela Serra do Rio do Rastro com pernoite em Criciúma ou Tubarão. Aqui no blog ainda não há muitas informações sobre hotéis e restaurantes nessas duas cidades, mas vamos combinar que, precisando de qualquer ajuda, tu deixas um comentário aqui embaixo que eu te ajudo, beleza?

Bom, para quem escolheu a opção de subir a Serra do Rio do Rastro: não se assuste! Apesar de parecer assustadora, a estrada da serra não é perigosa pelo simples fato de que a maioria dos carros anda devagar. Ou seja, são bem incomuns acidentes por lá. Sim, precisa de um pouco de habilidade na direção para subir, principalmente porque é comum acontecer de encontrar caminhões e ônibus nos “cotovelos” (as curvas bem fechadas) da serra, tendo que manobrar um pouco para dar espaço para o caminhão se movimentar na curva. Mas nada impossível, não!

A  subida da serra possui vários lugares para parar pelo caminho, com espaço para alguns (poucos) carros pararem, onde podes sair do carro um pouco para tirar fotos. Nos dias mais cheios (principalmente quando há quedas de água congeladas), esses espaços de parada são disputados. Por isso sugiro subir a serra bem cedinho quando estiveres em período de movimento por lá, como final de semana com frio intenso.
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Cascata congelada na subida da serra

Ao terminar a subida da serra, vá em direção ao parque eólico da serra. A Angela, do Viajando em 3… 2… 1, fez um post bem show sobre esse parque, confere: Parque Eólico – Visita aos Cânions – Bom Jardim da Serra. Em seguida volte para a SC-390 e pare no Mirante, à tua direita logo depois do parque eólico. Ali há vários quiosques onde dá para comprar vários produtos regionais – salames, licores, artesanato, pinhão -, opção de café e restaurante e o principal: uma vista incrível! Em dias nublados a vista fica prejudicada, mas quando o sol prevalece, a vista é linda! O Mirante tem bastante espaços de estacionamento gratuito.

A vista do Mirante
A vista do Mirante

 

Após gastar um tempinho no Mirante, pegue a SC-390 (é só voltar para a rodovia em que estavas e continuar em direção à Polícia Militar) e seguir em direção a São Joaquim. Como falei lá em cima, amo essa parte da serra! Essa rodovia é tranquila e não costuma ter muito movimento. Dá para parar a qualquer momento no acostamento para tirar fotos (que ninguém me ouça dando conselhos de parar no acostamento, haha). Há alguns hotéis fazenda por esse caminho, como o Rio do Rastro Eco Resort, o Hotel Fazenda Santa Rita e o Hotel Fazenda Rota dos Cânions. Eles costumam render belas paisagens para fotos! Se desejar, visite-os. Ah, se gostas de cavalgada (eu amo!), contacte esses hotéis para saber se é possível desfrutar das cavalgadas sem estar hospedado nos hotéis. Aqui nesse link e nesse site há várias outras opções de fazendas na região para a prática do turismo rural, uma verdadeira imersão na vida do serrano.
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Não deixe de parar na Cascata da Barrinha, uma das mais belas paisagens da serra. É fácil de achar: 7 km depois do Mirante da Serra, à beira da SC-390, encontrarás a Churrascaria Cascata. Logo após essa Churrascaria há um estacionamento. Pare seu carro ali e desça os degraus até a cascata!
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Quase chegando a São Joaquim, há uma boa opção de diversão: O Snow Valley. Além de restaurante e pousada, o local funciona como parque de aventuras. Lá, é oferecido arvorismo (R$40), tirolesa (R$50), parede de escalada (R$25) e outras opções. O pacote completo fica por R$120. A paisagem do lugar é linda!

Tirolesa do Snow Valley
Corajosos esperando na tirolesa do Snow Valley
Outras opções de turismo de aventura e offroad são ofertados pela Tribo da Serra Ecoturismo. Nunca utilizei os serviços dessa empresa, mas deixo a dica por conta do número de avaliações positivas que li sobre a empresa bem como por acreditar que informações desse tipo de empresa são bem difíceis de encontrar, então quanto mais for falado, melhor!
Logo na entrada de São Joaquim, há a loja da Sanjo, uma das maiores produtoras de maçã do Brasil. Se quiser comprar algumas maçãs locais ou outros produtos como vinhos, sucos e souvenirs, é uma boa opção.

Já na cidade, as duas grandes atrações são a Praça Cezário Amarante, onde há árvores nas quais a prefeitura joga água pela noite para que os galhos amanheçam congelados nas manhãs frias, e a praça da Igreja Matriz, aonde se chega a partir da primeira praça pela rua Manoel J Pinto depois de uma caminhada de três ou quatro quadras. Nessa praça há o laguinho que congela nos dias frios e a igreja de pedra.

Árvores congeladas em São Joaquim
Árvores congeladas em São Joaquim

 

Praça da Igreja Matriz
Praça da Igreja Matriz
Outra opção de turismo que está crescendo na reunião de São Joaquim é o enoturismo. Confesso que até hoje não experimentamos esse tipo de passeio, mas acredito que seja uma ótima aposta para a região! Deixo aqui algumas indicações de vinícolas da região:

Esse roteiro pode tranquilamente ser feito em um passeio de dia inteiro. Mas, se quiser aproveitar melhor as vinícolas e hotéis fazenda da região, bem como seus passeios como cavalgadas, vale a pena dedicar mais dias à região!

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Agora três perguntas que muita gente faz sobre a nossa serra:

É frio mesmo?

Bastante! Se estás procurando frio, esse é o lugar certo. Sim, quando está frio no resto do país, lá está beem frio, então não tem erro! Haha. O Mirante da Serra, em especial, é um dos lugares mais frios, porque o ventinho cortante está presente com certa frequência lá. Vá bem agasalhado!

Dá para ver neve?

Depende. Neve não depende só de frio, então não adianta ter um frio terrível se não houver umidade suficiente. A meteorologia costuma acertar nas previsões de datas próximas, então vale a pena ficar de olho em sites de meteorologia e correr para a serra quando houver chance de neve! Para quem mora mais longe e não tem tanta flexibilidade para planejar uma viagem em cima da hora, vale pegar alguns dias aqui pelos meses mais frios (junho, julho e agosto) para aumentar as chances de estar presente no momento da combinação frio + umidade. Ah! A neve costuma ser bem noticiada, então, quando estiver pela serra, ligue na TV e no rádio locais para saber onde tem mais chance de nevar ou onde já está nevando! Nas vezes em que subimos a serra em busca do fenômeno ficávamos com o rádio ligado para saber em que pontos/cidades já estava nevando. Outra dica: não fique limitado a um lugar! Muitas vezes a neve ocorre nas estradas e nos pontos mais altos antes de acontecer nas cidades, então não fique esperando pela neve apenas no centro de São Joaquim, por exemplo. Pegue o carro e vá para a estrada entre São Joaquim e Bom Jardim, para os bairros mais altos da cidade, para outras cidades como Urupema e Urubici (sobre as quais quero falar mais em outro post!).

Quando ir?

O ano inteiro! Claro, para pegar o famoso friozinho, vá entre maio e setembro. Costuma haver ondas de frio mesmo fora dessa época, mas entre esses meses não costuma haver erro. Mas, se posso te dar uma dica: aproveite para esticar até a Serra do Rio do Rastro naquelas férias de verão que tu estás planejando para o litoral catarinense! Isso mesmo! A maioria das pessoas vem ao nosso estado para aproveitar as praias, isso é inegável. Então por que não aproveitar a estada por aqui e reservar mais um dia para a serra? Te garanto que vale a pena! A paisagem estará linda também nessa época, a chance de pegar dias perfeitos de sol é maior e é até uma ótima oportunidade para fugir do calor dos infernos calorzinho que faz por aqui no verão. Ah, nessa época os preços estão bem mais simpáticos e a disputa por uma foto no mirante da Serra não é tão grande, claro! 😉
Se decidir vir à serra, reserve seu hotel pelo nosso link do booking.com. Caso precisar alugar um carro (muito bem vindo para esse passeio!), também sugerimos o uso do nosso link para o rentalcars.com! Usar os nossos links nos ajuda e valoriza nosso trabalho! 🙂

Confira neste post opções de restaurantes nessas duas cidades serranas com preços.

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Espero que tenha curtido! Se também curtes a nossa serra ou tens vontade de conhecê-la, deixa um comentário! 🙂

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Ester

20 comentários em “Um dia na Serra do Rio do Rastro, Santa Catarina

  1. Olá, sou de Florianopolis e quero levar uma amiga para conhecer a Serra do Rio do Rastro. Estou procurando um lugar para pernoite com cafe da manhã em alguma cidade próxima ao fim da serra. Será q poderiam me ajudar? iremos dia 9/12. E se puderem me falar qual o melhor trajeto de Floripa para pegar a serra no inicio. Ficarei eternamente grata. Iremos de carro.

    1. Olá Regina, tudo bem? Bom, você mora em Florianópolis, certo? Se sim, eu não dormiria no pé da serra, mas na serra em si, caso vocês queiram aproveitar melhor a região. Isso porque não é longe ir de Floripa até São Joaquim, levando umas 3 horas e 30min. Na ida, vocês poderiam ir por Rancho Queimado, pela SC 282. Em São Joaquim há hotéis fazendas, hotéis normais. Já faz algum tempo que não dormimos lá, pois sempre costumamos fazer um bate-e-volta. Já ficamos no hotel fazenda Santa Rita (simples, mas gostoso). Neste link coloquei São Joaquim com ordem por menor preço http://www.booking.com/searchresults.html?aid=962522&sid=b822550688c410ec3e8dc32c9fcffab3&checkin_monthday=9&checkin_year_month=2016-12&checkout_monthday=10&checkout_year_month=2016-12&class_interval=1&dest_id=-671042&dest_type=city&dtdisc=0&hlrd=0&hyb_red=0&inac=0&label_click=undef&nha_red=0&postcard=0&redirected_from_city=0&redirected_from_landmark=0&redirected_from_region=0&review_score_group=empty&room1=A%2CA&sb_price_type=total&score_min=0&si=ai%2Cco%2Cci%2Cre%2Cdi&ss=São%20Joaquim%2C%20Santa%20Catarina%2C%20Brasil&ss_all=0&ssb=empty&sshis=0&order=price.

      Bom, caso vocês durmam por lá, eu indico voltarem pela Serra do Rio do Rastro que é linda, uma das estradas mais lindas do Brasil, ou do mundo. Passe São Joaquim, Venha para Bom Jardim e desça a serra até Lauro Muller. Passe por Orleans e vá até Tubarão, onde você pegará a BR 101 para Florianópolis.

      Há hotéis também em Bom Jardim, embora a cidade seja menos estruturada que São Joaquim, e também há hotéis fazenda e outros em Uribici, caso vocês cheguem a ir até lá, sabe, onde tem o morro da igreja e a pedra furada (mais longe, mas alto).

      Caso reste alguma dúvida, pode perguntar, ok? E caso forem reservar hotéis por lá, ou para qualquer outro lugar, peço que façam pelo banner do Booking no nosso blog para colaborar conosco. Vc não pagará nada a mais por isso e nós receberemos uma pequena comissão do Booking. Confira também o post de onde comer em São Joaquim e Bom Jardim, bem completo e com preços. Grande abraço e boa viagem!!!

  2. Eu conheci a Rota dos Canions que cruza os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e tb voltei com essa sensação que você descreveu. Tem lugar que marca, né?
    Agora quero fazer esse seu roteiro tb. Lindas as imagens.

  3. A Serra Catarinense está no nosso radar. No começo do ano fizemos nossa primeira viagem para SC, mas gostamos tanto de Floripa que ficamos só por lá, mas estamos pensando em voltar para conhecer outros lugares. Essa região é a nossa prioridade.

  4. Essa relação que você descreveu que vai muito além do “que saudade desse lugar” entendo perfeitamente! Tb sou assim com alguns lugares que visitei.
    Bela vista do mirante!
    Enoturismo é algo que me interessa bastante. E adorei a foto com as folhas congeladas. Acho que já comentei em outros posts q eu curto “passar frio” rs. 😊
    Bjs

  5. Eu passei apenas uma vez por aí, mas foi as 2 ou 3 horas da madrugada e a cerração estava a todo vapor (literalmente). Não deu pra ver um palmo a frente do Nariz e tivemos muita dificuldade pra descer. Espero voltar logo pra conferir a beleza desta estrada! 🙂

Oi! Tem alguma dúvida, sugestão, dica ou comentário, deixe aqui para nós e viajemos juntos!

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