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O dia em que chorei e o dia em que gritei

O dia em que chorei…

Quando eu era criança, minha mãe tinha um perfume em forma de Torre Eiffel. Importado? Não. Acho que era da Avon, hehe. Da fragrância eu não gostava, mas amava admirar aquele frasco e descobri, não lembro como, até porque não havia Google naquela época, onde ficava aquela torre: Paris. Nossa, mas Paris é longe né? É na Europa, né mãe? Outro continente… Acho que nunca irei lá. Mas bem que eu queria… Pronto, passou a ser um sonho. Talvez inatingível. Mas sonhar não custa. Vou continuar sonhando…

Sabe, é que se hoje já não é uma facilidade louca assim ir para a Europa, na década de 80, início de 90, muito menos. Avião era coisa para gente phyna. Viagem para o exterior então, fora do alcance da minha família. Mas aquela torre nunca saiu da minha cabeça permanecendo no meu imaginário infantil e depois, não mais tão infantil assim.

Bem, cresci, casei, aliás, esta história daria um livro. Deixe-me resumir. Eu casei com 15 anos (agora é aquele momento do “óhhhh”). Namorava meu excelentíssimo e engravidamos da lindeza que também escreve posts maravilhosos para este blog (opa, momento babação, foi inevitável). E claro que dois aborrecentes, estudantes na época, não tinham casa, carro, geladeira, ventilador (aliás, compramos meses depois um, acho que em 12 prestações, e nunca foi tão difícil quitar uma dívida, kkkkk), cachorro, papagaio, nadica de nada. Pára né, pensar em viajar? Tais brincando…

Mas aquele desejo de criança não morreu diante das dificuldades não. Aliás, acho que esse negócio de gostar de viajar está no sangue, deve ser genético, sei lá. Eu me lembro que quando meu pai dizia: vamos todos para Brusque comprar tecido, hahahaha, eu já entrava dentro do carro com o pé que era um leque para passear. “Hum, uma mini viagem de carrão, que delícia!” Quem disse? Ia eu, meu pai, minha mãe e meus dois irmãos, isso mesmo, em cinco, num Fiat 147. Sabe o que é isso? Coloca no Google. Hoje, a gurizada não aceita mais andar em cinco em carro maior, heheheheeh, não sabem a diversão de brigar por um espaço para abrir um pouco mais as pernas.

Enfim, eu amava tudo aquilo. Pic nic, carro apertado, calor, claro, porque não havia ar condicionado. Conforto era algo que não existia e não se tratava de uma viagem de férias, mas um bate e volta de pouco mais de 560 km ida e volta, até a cidade pólo de venda de tecidos, Brusque, que fica perto de Pomerode (é que meus pais trabalhavam com confecção). Mas o simples fato de sair da minha cidade, passear, andar de carro, ver coisas diferentes, já me deixava animada.

E assim era para qualquer lugar onde meu pai se dispunha a levar-nos em suas viagens a trabalho – uma festa! Eu me lembro que meu pai prometeu me levar a São Paulo para compras e aquilo fez meus olhos brilharem. Uau, São Paulo! Tão grande, tão distante… mas a promessa não se cumpriu a tempo, pois meu pai parou de fazer estas viagens antes de eu ter idade suficiente para ir com ele para a sonhada cidade enorme.

E o meu desejo pelo desconhecido, pelo mais longe, cada vez mais longe, só crescia. Aí, voltando ao meu casamento, bem, depois de uma certa estabilidade, ou nem tanto, vai, começamos a sair do ninho. Primeiro para lugares mais próximos como Gramado (ah Gramado, outro sonho de criança realizado em 1996 pela primeira vez. Mas esta história contarei em outro post), Beto Carrero, Porto Alegre, Bombinhas, e por aí vai. E eis que, em 1997, tomamos coragem e fizemos nossa primeira viagem mais longa de carro que mereceu um post porque foi uma aventura sem dinheiro, sem documento (tá, nem tanto), sem hotel e sem o próprio carro, heheheh. Leia aqui.

E aí, sabe aquela história do dna, genética, etc, etc? Ainda bem que meu marido também sofre da mesma doença. De lá para cá nunca conseguimos parar de viajar. Sempre que havia uma folguinha financeira, férias ou feriado e dava certo, lá pegávamos nós a estrada. E eis que, em 2013, eu grávida de 7 meses da segunda filha, dei um peitaço: comprei nossas primeiras passagens aéreas da vida! E seria nossa primeira viagem para o exterior! Uhu!! Fomos passar um feriadão em Buenos Aires – eu, o marido e a filha Ester (a Letícia também foi, só que dentro do ovo). Imagina a festa. To louca para te contar os detalhes, mas ficaria longa esta história. Melhor fazer um post sobre esta primeira viagem de avião, né? Aguarde… (e te inscreve ali ao lado para não perder!).

A caçula nasceu, sua primeira viagem, aos dois meses, foi para Gramado. A segunda, com três meses, para Foz do Iguaçu (ah, sua doida! Viajando assim com um bebê? Como tu consegues?) Simples. Veja minhas dicas neste post. E seguimos viajando… de carro… para Paraty, Minas, Bahia, Campos do Jordão, Petrópolis, Uruguai, Chile, Argentina. Nossa coragem estrangeira ia até nossos hermanos. Somente países de fala espanhola, mais fácil de entender né? E arriscamos viagens mais longas, desta vez de avião novamente, para Ushuaia, El Calafate, sempre aqui pela vizinhança.

Mas olha só o que aconteceu em 2010. Ai, nem te conto. Já dá um frio na barriga só de lembrar. Meu esposo, Dilamar, veio com a ideia de desbravarmos terras mais distantes. Encontrou passagem em promoção para a Europa para o início de 2011. Desembarcaríamos em Madri. Madri, lugar onde também se fala espanhol, foi a escolha dele, porque ele tem uma queda pela Espanha, sei lá. E eis que veio a pergunta tão esperada: “Michela, para onde mais queres ir? Escolha outra cidade”. Ai minha nossa senhora dos sonhos infantis. Lembra da minha torre? Aquela do perfume? Não titubeei e sem pensar pela segunda vez, respondi: Paris!! E depois, a Suíça também entrou na roda, outro lugar que eu sonhava conhecer (mas a história completa te conto também depois).

Todos os preparativos, toda a ansiedade, todo o medo, receio, nervosismo, sei lá, pensa: a primeira viagem longa de avião, a primeira vez em terras com línguas completamente estranhas, a primeira vez usando um passaporte e passando por uma imigração mais rigorosa. Não é de ficar mesmo nervoso?

Mas chega o dia e embarcamos em Floripa, depois em Guarulhos e chegamos estrupiados, mas muito felizes e animados em Madri. De Madri, depois de passarmos 3 dias, avião para Paris. Chegamos no aeroporto e metrô até o hotel. Gente, tem uma hora que o metrô sai do buraco e vai para a superfície e advinha quem aparece lá ao fundo? Ela mesma, a Torre Eiffel. O que eu fiz? Gritei! Ai que vergonha dos franceses. Mas gritei com uma alegria inexplicável e depois me contive, né, diante de alguns olhares sisudos.

Chegamos ao hotel, deixamos nossas malas, e fomos passear. Subimos a tão sonhada torre, descemos e pegamos um barco para o cruzeiro pelo Rio Sena. E não é que na volta do cruzeiro, já tinha anoitecido, o guia nos fala para olharmos para a torre e o que acontece? Ela começa do nada a piscar. São milhares de lâmpadas piscando como flashes se sobrepondo ao dourado da luz que a ilumina todinha. Desculpa aí, mas não me contive. Chorei de emoção. Por que? Na hora me veio a lembrança do sonho de criança. Aquele sonho inocente daquela menina que no fundo imaginava, nunca iria se realizar. Mas aquela torre, não a de vidro, de perfume, mas a real, a verdadeira, enorme, deslumbrante, estava ali, diante dos meus olhos, me presenteando com seu show noturno de deixar qualquer um deslumbrado. Agradeci. Chorei e agradeci a Deus porque um dos meus sonhos, naquela noite, naquele dia, havia se realizado.

torre eiffel iluminada
Duvido se tu também não ias chorar

Depois gritei…

E acaba por aqui? Não. Tenho que te contar mais uma. Esta viagem de 2011 foi inesquecível. Mas em 2012 meu super caça promoções, o marido, encontrou outra passagem em promoção para a Europa e convidou a família (a irmã com o filho e meus pais) para irmos todos em 2013 para o velho continente. O avião, desta vez pousaria em Paris. Tá, Paris de novo? Não cansa não? Desculpe quem acha clichê, mas não canso não. Eu amo Paris e meus pais, a cunhada e o sobrinho ainda não conheciam. Ela entrou no roteiro e também Berna, Munique e, por último, Londres.

Eu estava ansiosa por conhecer os outros lugares novos para mim, e Londres era um dos que mais me fascinavam nesta nova aventura. Eu sabia que o Parlamento com o seu Big Ben era lindíssimo e até encomendei com o meu marido uma foto noturna do edifício, pois queria fazer um quadro para colocar no hall de casa.

Chegamos cansados naquele dia na Inglaterra e fomos ao hotel deixar nossas malas. Fazia um frio de renguear cusco, mas não íamos passar o resto da noite no hotel, né baby? Estávamos em Londres! Bora sair para ver um pouquinho a noite londrina. O lugar escolhido? O Parlamento, a London Eye e o Rio Tamisa para esta primeira impressão.

Bora pegar o metrô. Sabes que o metrô anda escondido embaixo da terra, feito topeira, e não vemos nada pelas janelas de vidro. Mas descemos na estação do Big Ben e nos encaminhamos para a saída. E não é que no final da escada levanto minha cabeça e olho para cima e quem eu vejo diante dos meus olhos, todo iluminado? Ele mesmo, o Big Ben. Foi de surpresa, eu não esperava ele ali, bem na saída do buraco. Ah, foi inevitável. Dei um grito. Calma, não foi assim um griiiitoooo. Foi um óóóóh de surpresa, susto, admiração. Até o frio deu uma trégua, hehehehe.

Minhas filhas às vezes falam que é mico, principalmente a adolescente. Sabe como é, né? Mas o que posso fazer? É sincero, autêntico, muitas vezes não consigo disfarçar. Vem na hora, no momento e simplesmente reflete a minha emoção, a minha felicidade em estar realizando muito mais do que um dia pensei realizar. É forte e, se algum dia viajarmos juntos por aí e eu deixar um furo destes, já sabes. É meu momento especial de gratidão por estar fazendo aquilo que amo fazer: viajar.

Agora, quero que me contes nos comentários se tu também és do meu tipinho de pagar mico ao vislumbrar algo lindo ou realizar um sonho antigo. Qual já foi a tua reação por aí?

Beijocas…

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Ganhei na mega sena – agora vou viajar até me acabar

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Torre Eiffel em Paris Iluminada

Michela.

15 comentários em “O dia em que chorei e o dia em que gritei

  1. Muito bonita sua história de vida e de emocionar, e como uma imagem na infância faz a gente sonhar com conhecer um lugar tão longe né.

  2. Mi (posso te chamar assim?), não consegui parar de ler esse post! Que história mais linda! Me arrepiei.
    Ainda pouco, estava lendo o post da sua filha sobre o que ela achou de Brasília (minha cidade natal). Sabe a hora que você falou de genética? Tenho certeza que as filhotas herdaram essa genética linda de viajar e saber escrever para contar pra gente.
    Você disse que puxaria minha orelha porque peguei carona e vou puxar a sua porque engravidou com 15 anos!!! Quando me contou que tinha casado cedo, imaginei que tivesse sido aos 23! hahaha
    Bem, eu casei cedo também, com 20. Mas separei no ano seguinte.
    Mas Deus sabe o que faz e te presenteou com essas meninas lindas!
    Beijão!

    1. heheheeh, que legal Ray!! Ah, pode me chamar de Mi, rssss. Sim, casei com 15, tenho uma de 25, a Ester, fazendo faculdade em outra cidade, e a Letícia com 13, que escreveu sobre Brasília, a tua cidade. Aliás, fomos para lá em julho por causa dela – um dos sonhos. Que bom que gostaste, fico muito feliz! E Deus sabe tudo o que faz sim, comigo, contigo, com todas nós. Beijos. Ah, pode puxar a orelha à vontade e nada de pegar carona com desconhecidos, hehehee.

  3. Um viva (com grito) para quem ainda se emociona diante das coisas a ponto de gritar e chorar! Em tempos em que a informação nos chega tão fácil e de maneira tão rápida, tudo termina parecendo tão natural, que parece que a emoção sumiu de nossas almas!!!

    A história é bonita, o relato é lindo! Trajetória intensa e vitoriosa de vcs. Desejo sinceramente e de coração que você nunca pare de encontrar novas torres pelo mundo afora. Que possamos ler que você gritou ao desembarcar em algum lugar!!!! bjus

    1. Heheheeh, obrigada Analuiza querida!! Estamos quase comprando passagens para o Japão e lembrei de você. Vou ler tudo de novo lá no blog. Só estamos com medo do inverno lá… beijos.

  4. Que delícia ler essa história! ahaha prova de que a gente nunca deve desistir dos nossos sonhos, né? 🙂 Mas você acredita que minha reação é completamente diferente? Quando vi a Torre Eiffel, o Big Ben e outros lugares assim, eu fiquei muda e mal conseguia reagir hahahaha

  5. Como adoro ler essas histórias de vocês aqui no blog! Ontem li o post de Brasilia, que já meu comigo porque me identifiquei com o mesmo desejo de conhecer a capital do país (eu também queria saber direito essa historia do avião) e agora vejo que a família inteira tem essa capacidade de nos contar historias envolventes e emocionantes. Que venham mais gritos, mais viagens, mais emoções! Pra você, pra filhota, pra família inteira e pra gente que ama e ainda consegue ver o mundo com beleza!

  6. Adorei seu relato! Viajar para mim tb por muito tempo era um sonho distante, apesar de, com muito sufoco, meu pai ter conseguido me dar a sonhadas viagem à Disney aos 15 anos. Lembro-me de uma sensação indescritível quando pisei fora do país e guardo até hoje uma memória olfativa do meu hotel. Acredita?
    Nunca gritei, mas meus olhos já encheram de lágrimas em vários momentos, toda vez que realizo sonhos de viagem. Não tenha vergonha não, seja feliz, gritando, chorando, sorrindo!!!

Oi! Tem alguma dúvida, sugestão, dica ou comentário, deixe aqui para nós e viajemos juntos!

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