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Obrigada, pai e mãe, por terem me dado de presente o mundo

publicado em: 12/08/2018 atualizado em: 28/09/2018

Estava no Yellowstone em junho e, enquanto esperava na fila em um frio de cinco graus às seis da manhã por uma vaga de camping, enrolada no meu cobertor, olhei para o lado e tinha um bebê de dez meses que mal podia se mexer por conta do macacão mega quente de ursinho que ele estava vestindo. Mas ele sorria bastante, mesmo com as bochechas rosas de frio.

Crianças são resilientes por natureza. Aquele nosso jeito rabugento de ser de adulto quando algo não corre do jeito que planejamos não é inerente a elas. Isso quer dizer que a criança não se preocupa se o hotel parecia muito melhor por fotos do que na realidade. Provavelmente a criança já vai estar feliz se tiver um cantinho para montar algum brinquedo no chão. Ela também não se preocupa se a previsão do tempo mostra que o frio vai ser assustador. Não existe lugar mais quentinho do que colo de pai ou mãe, e é com isso que ela se importa. 

Acho que foi o Yellowstone que me fez perceber boa parte disso tudo. Vi crianças de todas as idades lá, em situações extremas – frio, chuva, dormindo em barracas (inclusive ajudando a montá-las), caminhando bastante, sem internet. E não tenho dúvidas de que crescerão achando isso natural e normal a ponto de não se limitarem! Porque essa é a verdade delas.

Ninguém nunca vai conseguir fazê-las acreditar de que cinco graus é muito frio a ponto de limitá-las, porque ué, elas sempre passaram por isso e estão aqui, vivas e fortes! Resiliência. Viajar ajuda a criar resiliência, ainda mais nas crianças, que não estão cheias de preconceitos das décadas de vivências como nós.

viajando-com-filhos

Na nossa querida Serra do Rio do Rastro, de onde também tenho memórias incríveis (como nossos piqueniques no frio porque havia poucos restaurantes por lá – e nenhum dinheiro – na época)

Outra coisa que percebi é que crianças tomam o que aprendem e vivenciam na infância como natural. Sempre achei perfeitamente normal percorrer 1000 km de carro (inclusive sem nenhuma forma de entretenimento como DVD ou celular) para visitar meu tio que mora no interior de SP. Achava divertido, para falar a verdade. E nunca entendi muito bem como todos os meus colegas achavam isso loucura e chato só de pensar. Porque aquela era a minha verdade.

E hoje, morando fora da cidade dos meus pais por conta da faculdade e também namorando à distância, isso foi essencial para me tornar resistente a longas viagens de carro ou ônibus, já que eu as enfrento com frequência. E, claro, isso me ajuda nas minhas próprias viagens!

Viajar com filhos

Serra Gaúcha

Eu te garanto que crianças esquecem o pior e só lembram do melhor, quando existe harmonia e bom humor no ambiente. E isso se refere principalmente a infra estrutura e coisas do tipo. Achei divertidíssimo acampar aos 4 anos mesmo com poucos recursos disponíveis, mesmo que a minha mãe estivesse preocupada com os borrachudos. E as minhas lembranças são as melhores possíveis daquele camping arranjado às pressas, juro.

Outra coisa que acho legal em viagens é flexibilizar crianças. Sim, rotina é necessário a elas (e me perdoem, psicólogos, se eu estiver falando alguma besteira, inclusive sintam-se à vontade para me criticar nos comentários, já que acho um debate bem interessante), mas acho legal ensinar à criança de que não, não vai ser tudo do jeito que ela quer, e sim, ela faz parte de uma família, e não é o centro dela.

Acho incrível pais que têm uma força enorme de ensinar a criança a dormir/comer em qualquer lugar, para fazer com que ela se adapte a diferentes situações. Obviamente não é fácil, e uma coisa é falar de crianças de cinco anos, outra é falar de cinco meses. Mas me parece que colocar o pé na estrada é a melhor e maior aula prática para isso.

 

Viajar com crianças

Nossa Floripa amada

 

Outra questão que acho legal é sobre como (quase) qualquer viagem pode ser feita com crianças. Uma coisa é viagem para crianças, e outra é com crianças. Me colocando no meio das viagens deles (ao invés de planejarem a viagem inteira em minha função), meus pais me ensinaram que não sou o centro do mundo, que nem sempre minhas vontades serão feitas e que é legal encontrar um ponto em comum que agrade a todos.

Não é que eu me considere melhor ou pior do que alguém porque, graças a Deus e aos meus pais, tive a oportunidade de viajar quando criança. De jeito nenhum! Inclusive acho um saco essa postura de algumas pessoas de “sou melhor porque viajo”. As minhas viagens quando criança foram, inclusive, muito diferentes das viagens da minha irmã quando criança, para provar que o que importa é a simples ação é SAIR! As condições financeiras aqui em casa estavam melhores com a minha irmã e também só depois nós descobrimos que era sim possível viajar sem ir à falência ou sem precisar ser milionário –  e é isso que tentamos passar aqui no blog.

Minhas viagens se resumiam a idas de carro até o interior de SP para visitar meu tio, a idas constantes a Gramado (pela sorte de morar a 3 horas de lá) e a idas esporádicas a Bombinhas. Também rolava alguma viagem maior de vez em quando, como a nossa viagem de carro a Ilhabela (tem relato aqui, e eu juro que vale muito a pena ler, porque ela resume bem esse espírito de colocar viagens como prioridade e viajar a qualquer custo) e a Foz do Iguaçu. Já minha irmã esteve presente (mesmo que na barriga, aos 7 meses de gestação) na nossa primeira viagem internacional, para Buenos Aires, e em todas as outras que viriam.

Viajar com filhos

Na verdade, escrevi esse texto para te encorajar. Caso tu tenha medo, ou alguma dúvida: VIAJE. E leve seus filhos, caso for tua vontade, e caso ainda tenhas alguma dúvida. Desconheço criança que pegou recuperação  porque faltou a dois ou três dias de escola. Não estou estimulando isso, por favor!! Mas apenas contando a minha história. Isso porque esse é um blog de viagens de vários estilos, dentre eles a viagem em família.

Sempre estive na barra das saias dos meus pais, e eles já contaram por aqui qual é a sensação de levar filhos por aí. Só que eu me dei conta de que nunca tinha dado meu depoimento como filha. Como criança que foi levada para viajar e sobre como isso me ajudou a me tornar adulta. Sobre como, mesmo parecendo em algumas horas que levar os filhos é uma cilada, Bino, ou que não vale a pena, um dia teus filhos provavelmente vão ser eternamente gratos a ti.

Na verdade, nem sei se já agradeci adequadamente aos meus pais por sempre terem me colocado no banco de trás do carro ou na janelinha do avião.

Obrigada, pai e mãe. Amo vocês.

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Michela
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Eu sou o Dilamar, Bacharel em Direito, viajante nas horas vagas e não vagas. Sou admirador de viagens rodoviárias, principalmente aquelas bem longas e focadas em regiões montanhosas. E também sou ciclista amador e apaixonado por motos.

Eu sou a Letícia, tenho 14 anos e sou estudante. Gosto muito de pintar quadros, escrever poemas, ler e, principalmente, viajar. Para mim, o mundo é o meu quintal.

Eu sou a Ester. Tenho 26 anos e sou estudante de medicina. Moro em Floripa, sou apaixonada por Paris e frequentadora assídua de São Paulo, mas com os pés sempre em Criciúma, minha cidade natal. Amo sair do lugar, seja por poucos metros ou por muitos quilômetros, e de todas as formas possíveis. Das mais confortáveis viagens de trem às mais insanas viagens de carro. Conhecer o desconhecido me fascina! Viajar é minha maior paixão, mas devo arriscar dizer que sou quase tão apaixonada por montar os roteiros antes de viajar quanto pela viagem em si!

Olá, eu sou a Michela, Bacharela em Direito, pós graduada em Direito Constitucional, colecionadora de ímãs e de viagens. Conheci mais de 20 países, aliás, muito mais do que um dia imaginei conseguir, e vários recantos escondidos bem aqui pertinho de mim. Se canso? Jamais. Isso só aguça ainda mais meu desejo de percorrer este mundão. O que mais amo? Deus, minha família e viajar, claro.